O mundo hoje e os desastres

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O mundo hoje e os desastres

Redução do risco de desastres – dentro do Marco de Ação de Hyogo (MAH) da Estratégia Internacional de Redução de Desastres (Eird) – é constituída dos elementos que têm a função de minimizar vulnerabilidades e riscos em uma sociedade, para evitar (prevenção) ou limitar (mitigação e preparação) o impacto adverso de ameaças dentro do amplo conceito de desenvolvimento sustentável. No marco de proposição das Funções Essenciais da Saúde Pública (Fesp), sistematizado pela Organização Pan-Americana da Saúde, a Redução do Impacto das Emergências e Desastres em Saúde  é a 11ª e inclui: 1) o desenvolvimento de políticas, o planejamento e a realização de ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e reabilitação para reduzir o impacto dos desastres sobre a saúde pública; 2) um enfoque integral com relação aos danos e à origem de todas ou cada uma das emergências ou desastres possíveis na realidade do país; 3) a participação de todo o sistema de saúde e a mais ampla colaboração intersetorial e interinstitucional na redução do impacto de emergências ou desastres; 4) a gestão da cooperação intersetorial e internacional na solução dos problemas de saúde gerados por emergências e desastres.

O apoio à gestão dos desastres com frequência baseia-se em razões humanitárias ou políticas, pois é fato que não se pode deixar as vítimas desamparadas. Está comprovado que todos os programas de desastres na América Latina e Caribe foram estabelecidos ou fortalecidos depois de um desastre de grande magnitude. Por exemplo, sistemas de alerta precoce no Caribe e Ásia têm reduzido drasticamente o número de vítimas dos furacões e tufões.

Contudo, existe mais evidência da contribuição direta dos aspectos de gestão de desastres para o desenvolvimento social e econômico dos países. O Banco Mundial declara que é quatro vezes mais barato investir na redução dos riscos que em reconstruir. Outras instituições calculam essa proporção entre 1 e 15, dependendo do tipo de edificação. Quanto mais complexas, mais favoráveis à mitigação é a relação custo-benefício.

O mais importante é que a gestão de desastres contribui indiretamente para melhorar os padrões da gestão sanitária, em geral. Os hospitais permanecem de pé porque se integram padrões de construção nas novas instalações. Ano após ano, a realidade social, econômica e ambiental das populações dos diferentes países do planeta, em combinação com as ameaças naturais, ocasiona numerosos desastres. Segundo os Dados de Tendências Anuais dos Desastres do Centro de Pesquisa Sobre Epidemiologia dos Desastres, em 2010, o total de 373 desastres causou cerca de 297 mil óbitos, afetou mais de 207 milhões de pessoas globalmente e gerou o total de 109 bilhões de dólares americanos em danos e perdas econômicas.

O elevado número de óbitos, as perdas em infraestrutura econômica e social, e as oportunidades perdidas de desenvolvimento aprofundaram os problemas de vulnerabilidade das comunidades afetadas e geraram um círculo vicioso de causa e efeito.

Segundo dados do CRED, na última década, o continente americano foi afetado por 922 desastres naturais, que causaram a morte de mais de 247 mil pessoas e afetaram mais de 82 milhões de pessoas e pelo menos 487 bilhões de dólares americanos em perdas econômicas. O continente americano foi o segundo mais afetado, depois da Ásia, em termos de número de desastres e fatalidades e o primeiro em impacto. Durante as últimas décadas, tem-se observado o aumento global na ocorrência dos desastres. Durante 1990-1999, a média anual era de cerca de 250 desastres registrados por ano; na última década (2000-2009), a média global se elevou para 387.

Na região das Américas, a frequência com que acontecem os desastres possui, sem dúvidas, a tendência de aumento. Isto não necessariamente quer dizer que tem aumentado a intensidade e a ocorrência dos processos naturais, mas constata-se que a vulnerabilidade dos países aumentou. Cada vez se requer menor intensidade nos eventos de origem natural para causar maior impacto na sociedade afetada.

No Brasil, o Atlas Brasileiro dos Desastres Naturais, elaborado pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas Sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina Ceped – UFSC , a partir da coleta de registros de desastres disponibilizados pelas Coordenadorias Estaduais de Defesa Civil e pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, revela que, entre 1991 e 2010, ocorreram quase 32 mil desastres no país (o que representa cerca de 1.600 desastres por ano ou pelo menos 4 a cada dia), afetando a vida de mais de 96 milhões de pessoas. Entre os afetados por esses eventos, resultaram em mais de 486 mil pessoas enfermas ou feridas e 3.414 óbitos. Dentre os desaparecidos, deslocados, desabrigados e desalojados, o total foi de mais de 6 milhões de pessoas.