O mundo hoje e os desastres

Você está aqui

O mundo hoje e os desastres

Para análise mais completa da concentração da população nos centros urbanos e os desafios que representa em termos de aumento de risco para as comunidades, consulte o Informe Mundial de Desastres 2010 , elaborado pela Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (Firc) . Para aprender as lições sobre os riscos dos desastres nos ambientes urbanos, recomenda-se consultar o documento Respuesta a los desastres urbanos - Lecciones de operaciones anteriores de auxilio y recuperación , elaborado pela organização não governamental Rede de Aprendizagem Ativa para Responsabilidade e Desempenho na Ação Humanitária (sigla em inglês ALNAP).

Assim como o desenvolvimento sustentável, a mudança climática é entendida como uma mudança de clima atribuída direta ou indiretamente à atividade humana, que altera a composição da atmosfera mundial e contribui para a variabilidade natural do clima observada durante períodos comparáveis, segundo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.

A Conferência de Quioto sobre mudança do clima, realizada em dezembro de 1997, resultou no Protocolo de Quioto. Ele tem comprometido os países a desenvolver esforços coletivos até 2012 para a redução da emissão dos gases que causam aquecimento global em 5% aproximadamente em comparação com as emissões de 1990.

O vínculo entre a mudança climática e a saúde humana estabeleceu-se já faz algum tempo. No documento Mudança climática e saúde humana – riscos e respostas, elaborado pela OMS, descreve-se o processo da mudança climática global, suas repercussões presentes e futuras na saúde humana, além da forma como nossas sociedades podem mitigar seus efeitos adversos mediante estratégias de adaptação e a redução das emissões de gases do efeito estufa. Na figura seguinte, essa relação está resumida.

Vias pelas quais a mudança climática afeta a saúde humana

 

A Organização Mundial da Saúde, em seu informe sobre a saúde do mundo em 2002, estimou que a mudança climática foi responsável, no ano de 2000,por aproximadamente 2,4% dos casos de diarreia em todo o mundo e por 6% dos casos de malária em alguns países de média renda. É provável que as primeiras mudanças detectáveis na saúde humana consistam em modificações dos limites geográficos (latitude e altitude) e a sazonalidade de algumas doenças infecciosas, em especial as transmitidas por vetores (como a malária e a dengue) e por alimentos (por exemplo, a salmonelose), cuja frequência é maior nos meses mais quentes.

O impacto real da mudança climática na saúde dependerá muito das condições ambientais locais e das circunstâncias socioeconômicas, assim como das diversas adaptações sociais, institucionais, tecnológicas e comportamentais orientadas a reduzir todo o conjunto de ameaças para a saúde. É previsto que, com a mudança climática, os fenômenos climáticos extremos serão mais frequentes, o que pode aumentar o impacto dos desastres climáticos e meteorológicos sobre a saúde.

O impacto dessas situações perturbadoras é maior nos países pobres. As duas categorias de fenômenos climáticos extremos são os extremos simples dos intervalos climáticos estatísticos, como temperaturas muito baixas ou muito altas, e os fenômenos mais complexos, como secas, inundações ou furacões.

No Brasil, os documentos Mudanças climáticas e ambientais e seus efeitos na saúde: cenários e incertezas para o Brasil e Mudança climática e saúde: um perfil do Brasil, publicados em conjunto pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS-MS) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), oferecem um panorama geral da relação mudanças climáticas e saúde no Brasil.

Nesse sentido, foi criado, em 2009, no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz (Icict), o Observatório de Clima e Saúde. Ele busca incentivar pesquisas e debates sobre os impactos das mudanças ambientais e climáticas na saúde da população brasileira. O Observatório de Clima e Saúde é um projeto da Fiocruz em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apoiado pelo Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST), do Ministério da Saúde, e faz parte da Rede Clima. O Observatório de Clima e Saúde reúne e conjuga dados ambientais, climáticos, socioeconômicos e de saúde produzidos por diferentes instituições, além de abrigar suas próprias pesquisas. Os dados são disponibilizados de forma livre e gratuita. Um de seus eixos prioritários relaciona-se ao impacto de eventos climáticos extremos e desastres sobre a saúde humana.

A equipe de pesquisadores da Fiocruz (Instituto Oswaldo Cruz, do Centro de Pesquisas René Rachou e da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca) também participou da elaboração do Mapa de Vulnerabilidade da População do Estado do Rio de Janeiro aos Impactos das Mudanças Climáticas nas Áreas Social, Saúde e Ambiente. A metodologia desenvolvida para o mapa permite ainda avaliar a vulnerabilidade municipal relacionando eventos extremos hidrometeorológicos e óbitos.