O mundo hoje e os desastres

Você está aqui

O mundo hoje e os desastres

Os desastres constituíram um dos sete temas mais importantes da Rio+20, constatando-se o aumento no risco de perda de vidas e danos materiais provenientes de desastres naturais, representando grande desafio ao desenvolvimento sustentável. De acordo com o documento sobre desastres da Rio+20, a cada ano, mais de 226 milhões de pessoas são afetadas por desastres. Ao mesmo tempo, fatores como o crescimento populacional, o grande impacto das mudanças climáticas, a pobreza, o aumento da urbanização com falhas de planejamento e gestão no ordenamento territorial e a degradação dos ecossistemas vêm contribuindo para que mais pessoas estejam vulneráveis e vivam em áreas de risco, onde estão expostas aos perigos de eventos naturais. Entre 1970 e 2010, a proporção da população que vive em bacias hidrográficas sujeitas a inundações aumentou 114%; já nas regiões costeiras expostas a ciclones, o aumento foi de 192%.
 

Dados sobre desastres no mundo demonstram que sociedades com menores níveis de desenvolvimento concentram a maior parte dos impactos desses eventos. No artigo Vulnerabilidade socioambiental, redução de riscos de desastres e construção da resiliência - lições do terremoto no Haiti e das chuvas fortes na Região Serrana, Brasil, é realizada a análise de como a vulnerabilidade socioambiental criou condições para que se tornassem os mais graves desastres em cada um dos países.

O desenvolvimento sustentável é um “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”.

A declaração de Johannesburgo sobre o desenvolvimento sustentável reafirma o compromisso dos Estados-membros da ONU ao desenvolvimento sustentável, que é visto como três “pilares interdependentes que se reforçam mutuamente”: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Assim, o desenvolvimento econômico desacompanhado do desenvolvimento social e da proteção ambiental em muitas partes do mundo está aumentando a vulnerabilidade e o risco de desastres em muitos países e comunidades.

Segundo a Estratégia Internacional para a Redução de Risco, “a alta densidade da população é um condutor importante do risco, na qual a qualidade das moradias, a infraestrutura e os serviços são deficientes”.

  • A população do mundo segue aumentando. Cerca de 7 bilhões em 2012, e se estima que, para 2050, sejam mais de 9 bilhões.
  • A população do Brasil também segue crescendo. Em 2010, de acordo com os dados do Censo Demográfico, o Brasil possuía 190.755.799 habitantes, com 84% vivendo em áreas urbanas. São quase 100 milhões além da população de 1970, década em que pela primeira vez o Brasil se tornou um país com mais da metade da população vivendo em áreas urbanas.
  • Destes, mais de 190 milhões de habitantes em 2010, 11.425.644 viviam em domicílios subnormais (assentamentos irregulares conhecidos como favelas, invasões e palafitas, entre outros), com infraestrutura deficiente e ocupando áreas menos propícias à urbanização, como encostas íngremes, áreas de praia, vales profundos, baixadas permanentemente inundadas, manguezais e igarapés,resultando em maior vulnerabilidade aos desastres.