Entrevista da Chefe do Centro de Saúde para o Informe ENSP

Entrevista da Chefe do Centro de Saúde para o Informe ENSP
Na sexta-feira (10/6), os trabalhadores da Fiocruz fizeram uma paralisação de 24 horas em defesa da democracia, do SUS, pelo cumprimento na íntegra dos acordos salariais, contra o governo ilegítimo e pelo Fora Temer!

Annalu PInto da Silva.

Entrevista da Chefe do Centro de Saúde para o Informe ENSP

Fonte: Portal Ensp

Na sexta-feira (10/6), os trabalhadores da Fiocruz fizeram uma paralisação de 24 horas em defesa da democracia, do SUS, pelo cumprimento na íntegra dos acordos salariais, contra o governo ilegítimo e pelo Fora Temer!

Durante o dia , que prevê um Ato no Castelo Mourisco e outros programas culturais, o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da ENSP realizou ocupação em defesa do SUS e das demais políticas públicas. O #OcupaCSEGSF promoveu a integração entre profissionais, alunos e usuários moradores de Manguinhos. Confira, na entrevista da psicóloga Eliane Chaves Vianna, chefe do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, as ações programadas para a atividade desta sexta-feira (10/6) e as respostas da unidade contra os ataques ao SUS.

Informe ENSP: O Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP), diante da atual conjuntura política, econômica e dos recentes ataques aos SUS, tem sido protagonista em diversas frentes na defesa do Sistema, além de apoiar profissionais de saúde, mobilizar alunos e usuários. O que suscitou esse movimento?

Eliane Chaves Vianna: O Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria é uma unidade de Serviço, de Ensino e Pesquisa, e faz parte da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Então, se o SUS sofre ataques, nós os sentimos não só em relação à pesquisa e ao ensino, mas o atendimento direto ao cidadão também é afetado. E isso se traduz na perda de qualidade da assistência, principalmente em função das anunciadas restrições ao orçamento da saúde e no retrocesso que pode existir em relação aos direitos de cidadania conquistados a duras penas e do trabalho em saúde, como por exemplo, a não obrigatoriedade do ACS nas equipes de Saúde da Família.

Ter um trabalhador de saúde morador do território sempre foi uma prática do CSEGSF desde a década 1980, por intermédio de um projeto do Unicef. Ver essa proposta sendo detonada e ameaçada nos afeta profundamente porque sempre tivemos contato muito próximo com a comunidade. Não há como não nos posicionarmos! Esse protagonismo não é nada mais do que missão do próprio Centro de Saúde, pela relação e compromisso que possui com a comunidade.

Informe ENSP: Ser um campo de ensino, pesquisa e assistência facilita o diálogo com os profissionais, alunos e moradores, certo?

Eliane Chaves Vianna: A vocação da Escola - que é eminientemente acadêmica -, se consolida através da formação de profissionais de saúde para o sistema público e do estudo, da formulação e implementação de novas e melhores políticas públicas. A vocação do CSE, além das já citadas, é aproximar a teoria da prática, levando em conta as necessidades manifestadas pelos usuários e a realidade deste território. Nesse cenário, os diálogos com os alunos são fundamentais.

Informe ENSP: O que propõe o #OcupaCSEGSF - em defesa do SUS? Como nasceu a iniciativa?

Eliane Chaves Vianna: A iniciativa é mais uma resposta, entre tantas, à atual conjuntura política do país que ameaça o sistema público e todas as conquistas advindas da Constituição de 1998. No CSE compreendemos que seria mais lógico fazer nossa mobilização mantendo nossas agendas e realizando atividades de esclarecimento e informação sobre as ameaças que o país vem sofrendo. Com a "ocupação", teremos mais uma oportunidade de nos aproximarmos da comunidade e mostrarmos todo o movimento em defesa do SUS, ou seja, de um sistema de saúde que é público, de todos e para todos.

Informe ENSP: Detalhe a programação do #OcupaCSEGSF.

Eliane Chaves Vianna: A atividade exibirá vídeos sobre a importância do Sistema Único de Saúde e as possíveis perdas na atual conjuntura. Além da apresentação de vídeos, teremos uma Oficina de Cartazes - da mesma maneira no Ocupa ENSP - como forma de nos integrarmos nas atividades de mobilização dentro da Fiocruz. Além disso, convidaremos a comunidade a participar das atividades no Castelo e haverá distribuição de laço azul (simbolizando o SUS) e fitas azuis para expressar o comprometimento com o Sistema.

Fonte: Informe ENSP